23 outubro 2017

Mais uma carta, sem amor


Hoje eu percebi que ainda tenho pensado nele. Não com amor. Sem tristeza. Sem nenhum sentimento especial a não ser a certeza de que o tempo finalmente passou. Não  é possível deletar 100% das pessoas que passam por nós. Ele me chamava de morena. Dizia que um dia, aos 19 eu seria um mulherão.

Ele estava certo. Anos depois do nosso fim, eu me tornei um mulherão. Mas um mulherão muito maior do que cê imaginaria. Hoje eu sei o que é amor próprio. Hoje eu não me permito aceitar coisas que me machucam.

As vezes eu sinto curiosidade de saber como cê anda. Se terminou o colegial. Se ainda ama vermelho. Se ainda fica vermelho. Mas não como quem ainda o ama. Porque eu o amei. mas hoje não mais.
Engraçado que quando a gente se machuca parece que não sabemos respirar. Cada pequena parte em você, dói. Respirar dói. Ter amado você branquelo, doeu tanto. E hoje você não passa de memorias.
Eu já fui a que tenta a todo custo apagar tudo. Eu já fui a que teve que ir embora. Eu já fui a que chorou incansáveis noites a fio. Eu já fui a que deseja do fundo do coração que alguém chegasse pra foder com você como cê conseguiu fazer comigo sem hesitar.

Dizem que o tempo cura as coisas. No fundo eu sempre quis duvidar disso. mas não é que havia razão?
Com o tempo eu fui parando de pensar em você. De olhar nossas fotos. Você não imagina mas eu consegui excluir nossas fotos do meu computador -e do coração- muito antes do que pensa. Eu esqueci seu numero. Não lembro mais sua comida favorita. Você ficou no passado e por mais que vira e mexe alguém me lembre você, já não dói. Faz tempo que deixei você ir.

E por que eu tô lhe escrevendo isso? Pra contar que novamente cada parte do meu corpo tá doendo e muito mais do que doeu quando foi com você. Que eu mal consigo respirar. Que não faz ideia do quão difícil tem sido levantar da cama.

Nunca mais o vi depois que foi embora.  Recordo-me que a ultima coisa que me escreveu foi "desejo que seja feliz" e olha, eu fui. Nunca mais nos escrevemos. Não tinha o que dizer. Ou havia? Ah, não sei responder as minhas próprias perguntas. Acho que no fundo sempre resta algo a ser dito. E que eu pretendo lhe dizer agora:

No fundo, eu já não odeio mais você. Eu já não sinto dor ao ouvir seu nome. Quando alguém me pergunta consigo até pronunciar sem sentir um pingo de nada. E isso é tão bom. Passei a desejar que suas escolhas tenham te tornado alguém muito melhor.
Que ter ido embora foi a melhor coisa que você poderia ter feito por mim. No fundo, eu ainda estou tentando novamente me encontrar. E percebi tentando escrever, que ainda não consigo transformar essa nova dor em palavras como fiz com você. Tô aqui costurando meu coração e aprendendo da forma mais dura, a alçar voo solo. Acho que, se torna-se a vê-lo, custaria a reconhecê-lo.

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